segunda-feira, 26 de maio de 2014

Evangelii Gaudium

65. Apesar de toda a corrente secularista que invade a sociedade, em muitos países – mesmo
onde o cristianismo está em minoria – a Igreja Católica é uma instituição credível perante a opinião
pública, fiável no que diz respeito ao âmbito da solidariedade e preocupação pelos mais indigentes.
Em repetidas ocasiões, ela serviu de medianeira na solução de problemas que afectam
a paz, a concórdia, o meio ambiente, a defesa da vida, os direitos humanos e civis, etc. E como
é grande a contribuição das escolas e das universidades católicas no mundo inteiro! E é muito
bom que assim seja. Mas, quando levantamos outras questões que suscitam menor acolhimento
público, custa-nos a demonstrar que o fazemos por fidelidade às mesmas convicções sobre a dignidade
da pessoa humana e do bem comum.
66. A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais.
No caso da família, a fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da
célula básica da sociedade, o espaço onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer aos
outros e onde os pais transmitem a fé aos seus filhos. O matrimónio tende a ser visto como mera
forma de gratificação afectiva, que se pode constituir de qualquer maneira e modificar-se de acordo
com a sensibilidade de cada um. Mas a contribuição indispensável do matrimónio à sociedade
supera o nível da afectividade e o das necessidades ocasionais do casal. Como ensinam os Bispos
franceses, não provém “do sentimento amoroso, efémero por definição, mas da profundidade do
compromisso assumido pelos esposos que aceitam entrar numa união de vida total”.

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