domingo, 25 de maio de 2014

Evangelii Gaudium

63. A fé católica de muitos povos encontra-se hoje perante o desafio da proliferação de novos
movimentos religiosos, alguns tendentes ao fundamentalismo e outros que parecem propor uma
espiritualidade sem Deus. Isto, por um lado, é o resultado duma reacção humana contra a sociedade
materialista, consumista e individualista e, por outro, um aproveitamento das carências da
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população que vive nas periferias e zonas pobres, sobrevive no meio de grandes preocupações
humanas e procura soluções imediatas para as suas necessidades. Estes movimentos religiosos,
que se caracterizam pela sua penetração subtil, vêm colmar, dentro do individualismo reinante,
um vazio deixado pelo racionalismo secularista. Além disso, é necessário reconhecer que, se uma
parte do nosso povo baptizado não sente a sua pertença à Igreja, isso deve-se também à existência
de estruturas com clima pouco acolhedor nalgumas das nossas paróquias e comunidades, ou
à atitude burocrática com que se dá resposta aos problemas, simples ou complexos, da vida dos
nossos povos. Em muitas partes, predomina o aspecto administrativo sobre o pastoral, bem como
uma sacramentalização sem outras formas de evangelização.
64. O processo de secularização tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo. Além
disso, com a negação de toda a transcendência, produziu-se uma crescente deformação ética,
um enfraquecimento do sentido do pecado pessoal e social e um aumento progressivo do relativismo;
e tudo isso provoca uma desorientação generalizada, especialmente na fase tão vulnerável
às mudanças da adolescência e juventude. Como justamente observam os Bispos dos
Estados Unidos da América, enquanto a Igreja insiste na existência de normas morais objectivas,
válidas para todos, “há aqueles que apresentam esta doutrina como injusta, ou seja, contrária
aos direitos humanos básicos. Tais alegações brotam habitualmente de uma forma de relativismo
moral, que se une consistentemente a uma confiança nos direitos absolutos dos indivíduos.
Nesta perspectiva, a Igreja é sentida como se estivesse promovendo um convencionalismo particular
e interferisse com a liberdade individual”. Vivemos numa sociedade da informação que nos
satura indiscriminadamente de dados, todos postos ao mesmo nível, e acaba por nos conduzir a
uma tremenda superficialidade no momento de enquadrar as questões morais. Por conseguinte,
torna-se necessária uma educação que ensine a pensar criticamente e ofereça um caminho de
amadurecimento nos valores.

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