Imagens Google
É nessas horas que somos tentados a corrigir o penitente, mas, acho que sempre prevalece a compreensão que todo sacerdote tem que ter de que ali esta uma pessoa amada por Deus e que nós, como disse o Papa um dia desses, não somos juízes de ninguém. Somos sacerdotes que devemos fazer transparecer o grande amor de Deus por cada pessoa que nos procuram, distanciando-nos de julgamentos e condenações. Mas podemos ajudar a pessoa a repensar a vida a partir dos valores evangélicos. Ainda assim me ficou na cabeça aquela frase: "Frei, eu acho que não tenho pecado grave, somente os pecados de estimação".
Fiquei matutando, pensando, coçando a cabeça porque tem algo nessa frase que me incomoda, e é justamente o termo estimação e nem tanto o pecado embora os dois formam um par. De repente me veio na memória que estimação nós temos por gatos, lebres, cachorros, passarinhos e até mesmo estimamos pessoas que queremos bem. Queremos bem, queremos lembrar deles e como eles me fazem felizes quando estão perto de mim, mas, em se tratando de pecados de estimação, existe uma graça e um perigo. A graça esta no próprio termo usado, e o perigo esta em olhar para os "pecadinhos" cotidianos e transformá-los em estimados pecados. É sinal que eles estão comigo todos os dias, e eu os levo onde eu for, quero tê-los ao meu lado, eles me fazem bem, me fazem felizes me divirto com eles, como me divirto com o totó. Talvez não sentimos felizes em cometê-los mas não me dou conta de que estou alimentando um vicio que tomou conta de mim e que me escraviza sem que eu perceba. O simples fato de achar que um pecadinho é de estimação abre espaço para mais um e mais dois e mais três porque desenvolvi a falsa ideia de que eles não mexem comigo ou que não interferem na minha vida. Mas aí esta o engano.
A somatória das vezes que eu cometo o mesmo pecado ou a somatória dos pequenos pecados de estimação me faz uma pessoa infeliz, azeda, com enxaquecas, dores de estômago, dores pelo corpo, chato(a), incompreensível com as pessoas, irritante e anti social, não solidário, arrogante, prepotente e me afasta da minha religião. Não sabemos de onde vem esses sintomas, pois podem ser sinais de alguma enfermidade do corpo, mas podem também estar vindo da nossa incapacidade de dizer não para aqueles pecadinhos que eu já não consigo dominar e que me transformaram em prisioneiro. Estou preso a eles, e preciso deles todos os dias senão não vou estar feliz.
Eles se tornam como que um vicio em nossas vidas como o gole de cachaça que devo consumir todos os dias para me sentir mais forte, o tônico que me fortalece. Eles são os males que perturbam a minha alma . Por mais atrativo que eles são devo me distanciar deles. "No mundo em que vivemos" e convivemos, e nas nossas relações como as pessoas, animais, natureza deve prevalecer o nosso respeito e procurarmos criar uma grande fraternidade, porém não devo me render ao mundo mas procurar transformá-lo dentro da minha religião, ética e moral. Conviver bem é uma coisa, render-se é outra totalmente diferente. Na Primeira Carta de São João capítulo 2,15-17 nos diz que não devemos amar o mundo e nem o que há nele, porque quem ama o mundo não ama o Pai. É como diz a parábola dos dois Senhores que vemos em Lucas 16,13 vemos : 13 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.
Pode parecer exagero mas é verdade porque se não somos capazes de sermos fiéis nas pequenas coisas, quanto mais nas grandes. E a parábola dos dois Senhores quer comunicar entre outras coisas essa verdade porque parece que havia entre o dono do negócio e o empregado um acerto que se praticava constantemente dando prejuízo aos devedores que viam suas dívidas aumentar cada vez mais em proporções geométricas e essa pratica era comum entre eles e se tornara um pecado de estimação pois era bom ludibriar porque o lucro era certo. Voltando agora para a citação de (1 Jo 2,15-17), vemos uma exortação a nós cristãos para vencermos a tentação de uma vida fácil porque ela é frágil, preenchendo os nossos desejos mas nos tornando presos ao mesmo tempo.
Nós nos acostumamos com a vaquinha que nos da o leite diariamente como diz a história que eu ouvi um dia : Um monge andava por uma estrada com o seu noviço quando já era tarde e precisaram pedir pouso numa pequena e pobre propriedade. A família muito simples acolheu o monge e o noviço dando-lhes um prato de sopa e um lugar para dormir. No dia seguinte, descansados, o monge e o noviço tomaram café com a família e conversaram um pouco. Na conversa o monge vendo a pobreza daquele lugar mas uma grandiosa propriedade limpa, sem plantações mas somente uma vaquinha no pasto, perguntou ao dono da casa de onde vinham o pão, a manteiga, o arroz, feijão, a roupa que eles usavam e a resposta foi simples e objetiva : "Vem da nossa vaquinha !" Tudo o que temos aqui, continuou o dono da casa, vem do leite da vaquinha que levamos para a cidade e trocamos por tudo o que comemos e vestimos.
| Eta vaquinha milagrosa! |
Nenhum comentário:
Postar um comentário